Viver morrendo de amor

Amor rima com dor, mas não tem nada a ver com filosofia. Filosofia é saber, é explicar, entender, e amar é outra coisa. Amar é fazer antes de pensar, sem pensar, contra o pensamento. Amar é viver, o que é muito, muito diferente de pensar. Amar é não entender nada e sentir tudo. Se você sabe explicar exatamente o porquê de amar alguém, sinto muito: você não ama. Por que falamos tanto de amor? Acredito que esse é um dos principais motivos, a impossibilidade de explicar e entender. Apegamo-nos demais à racionalidade, louvando-a como os antigos reverenciavam os deuses, então não entender é quase um sacrilégio. Daí tentamos conjugar amor e sabedoria e estragamos tudo. Porque amor é um treco confuso, inclusive na sua proximidade com a dor. Amar corta, faz sangrar, e nos submete à nossa incompletude, à impossibilidade de saber tudo, à incapacidade de adivinhar exatamente o que o outro quer. Amar dói porque amar é real, e o real é sempre sem saber, sem garantias. Outro dia ouvi que “sofrer por amor é o melhor sofrimento do mundo”, e eu concordo. Não estou falando de masoquismo, de ficar procurando relações que não dão certo, insistindo em amores não correspondidos, estou falando da dor da não correspondência, que existe mesmo nos amores correspondidos. A dor das brigas durante, do medo de perder, e mesmo do fim, quando a perda é real. Porque sofremos, perdemos aquele amor, e no momento achamos que jamais voltaremos a amar, mas, no fundo, sabemos que não é verdade. Aquele amor é claro que nunca mais acontecerá. No entanto, se você tiver a coragem de viver, o amor vai te encontrar. E sim, vai doer de novo. Mas entre a dor do que acaba, e o vazio do que não começa, prefiro viver morrendo de amor.

9 comentários em “Viver morrendo de amor

  1. Gostei tanto de um trecho em especial – “do medo de perder, e mesmo do fim, quando a perda é real..”
    Esse medo é iminente mesmo quando tudo vai bem. É estranho, é confuso. Mas na minha concepção é ele que torna tudo real. Tudo deixa de ser um sonho, e vira a realidade da vida. Em seus altos e baixos. Lindo texto de retorno Carina!

  2. “Porque amor é um treco estranho, inclusive com a sua proximidade com a dor”.
    Menina, morri nessa frase.
    Falamos tanto de amor, porque somos movidos por ele.
    Adorei o texto! :}

  3. Amar é, se não o único, um dos poucos sentimentos em que não se tem definição concreta, ninguém sabe definitivamente, mas todos concordamos que ele trás alegria, paz, segurança, frio na barriga e tantos outros sentimentos que nos faz viver e muitas vezes sofrer! Acredito então que AMOR, talvez seja uma porta, que quando aberta nos dá a visão de um outro mundo 😉 ADOREI SEU TEXTO!

    Thais
    stothais.blogspot.com

  4. Que lindo! “amar é não entender nada e sentir tudo!” – essa frase é reveladora. Também prefiro morrer de amor e, à guisa do velho Vinícius:
    “quem pagará o enterro e as flores, se eu me morrer de amores?”
    Respondo: eu lá me importo!
    Abraços.

  5. Se morrer de amor não mata, então faz viver. Eu amei esse texto, e pode parecer muita petulância minha, mas sério, tenho certeza que fui eu que o escrevi, nem que tenha sido em outra vida.

Os comentários estão fechados.