anisotropia

encontraram-se, coincidência rara.
diria: raríssima.
um pedido de socorro, não socorro de perigo ou sofrer.
veio em forma de pássaro alvianil, fragmentos, cachoeira na tela.
preciso…, ela solicitou.
ajudo…, disse ele.
compreenda: é um lugar qualquer, desbatizado de importância.
depois daquilo, não se descolaram, enquanto ela ali peregrinava.
durante uma semana, uma revolução acontecia, dentro de outra que se celebrava.
presta atenção!, não perde os detalhes, mesmo que as minúcias não estejam explícitas.
muitas decolagens depois…
que coisa mais louca o que esse cara tá escrevendo!
calma. chegaremos lá, eu e tu.
releio o irmão, rima pobre.
pegadas, pistas, tão real.
déjà vu.
confesso que sobrevivo, nerudiando o barro trêmulo do existir inacabado. (uma digressão)
regrido ou regresso?! deslocado insano, penso.
amor requer paciência. o que tua acha?
sei lá, pode ser.
eles ainda estão naquele tempo-espaço, te digo.
ele: esqueço o futuro, projetado em todas as partes.
brindam o presente, aquele de antes, com teatros, bares e poesia…
reflito.
ela: planejo o futuro, sonhado a cada instante. (intransigentemente, sem concessões)
amam-se?
improvável ar-
dor.
amaram-se?
ninguém sabe-
dor.
amarão?
com os receios de quem ama-
dor…
o que foram eles? quem são eles? para onde vão?
quem sabe morem na filosofia…
ou nos espelhos da filosofia refletindo sabedorias de moradas de imagens de um pensamento habitado de devaneios com óculos escuros
colírios
outra digressão: só poderíamos compreender e/ou criticar as dimensões dos atos, se fosse possível mensurar as motivações que nos movem e paralisam. (sub-digressão: uma voz que acusa sem provas, unilateral).
por que falamos tanto de amor?”, questiona gêmea inquietude minha, ontem.
será que temos de continuar a reafirmar e repetir, exaustivamente, os discursos da existência cotidiana de algo que não temos a certeza que existe, só para nos confortar e absolver das misérias engendradas em algum lugar obscuro, que grita por liberdade?
berro no beco o breu: apenas amar não nos basta
não perca as próximas histórias da semana…

5 comentários em “anisotropia

  1. Ahhhh!!! Que pena que meu texto sai somente no sabado! 🙁

    Que pena. Foi uma viagem ler teu texto entre links aqui e ali. Ver cada letra fundir-se num todo. Numa simetrica confraria…

    Muito bom!

  2. Nunca parei para pensar que os poetas são um pouco femininos… Intrigante, mas verdadeiro. Quanto a falarmos de amor o tempo inteiro para concretizar o abstrato, será isso um dom malfadado? Vamos continuar a falar, esse é o meu conselho. Talvez, de tanto escrever, o mundo se encha de amor e poesia e é isso de que ele precisa.
    Lindo texto.
    Abraços.

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