Fomos, somos, seremos

Não há alguém como você. Nunca haverá. E esse foi o nosso problema, saber disso. Saber que um encontro como o que tivemos é coisa que só acontece uma vez. Fomos displicentes, achando que sempre estaríamos juntos, não importaria o que fizéssemos. E aí nos destratamos, descuidamos, desfizemos os laços que pareciam indissolúveis. Não existe para sempre no amor, meu amor. Existe eterno, isso sim. E nós fomos, somos e seremos eternos um para o outro. Porque as lembranças, diferente das relações, independem do que fazemos. Independem até da nossa vontade, pois às vezes penso que adoraria esquecer-te, deixar que nós morrêssemos junto com a relação que acabou. Mas os momentos importantes que vivemos ficam marcados na pele da alma. Indeléveis, não há sangue ou lágrima capaz de apagar. Não sei então o que me faz escrever essa carta. Não acho que ela me ajudará a te esquecer. Muito menos acredito que ela possa te trazer de volta. Talvez a escreva tentando me convencer, ou me conformar. Eu te amei, ou eu te amo ainda, não sei. Mas sei que você me marcou, e sei que eu também te marquei. Escrevo para dizer que sei que por mais que você negue, não vai conseguir me esquecer. E que você pode ser muito feliz com outra, e espero que você seja, porque não quero me sentir culpada quando eu estiver feliz. Sim, porque serei muito feliz, não tenho dúvidas. Amarei, serei amada, construirei mais uma vida dentro dessa que ainda me faz o coração bater. Então seremos felizes, cada um no seu canto. Mas ela nunca será eu. E ele nunca será você. Porque mesmo que nunca mais sejamos nós, sempre seremos nós.

10 comentários em “Fomos, somos, seremos

  1. “Certas canções que ouço, (textos que leio, com a devida licença), cabem tão dentro de mim, que perguntar carece, como não fui eu que fiz…”

    Milton falou por mim.

    A delicadeza e a assertividade que você colocou na textura de suas letras, deram exatamente o tom da aparente dicotomia, (mas só aparente), presente no que sempre vai ser “apesar de”, mas que não sobreviveu ao “por causa de”.

    Lindo e comovente.

  2. Sabe Carina, desde que você postou este texto, há uma semana, eu venho aqui todos os dias, e leio e releio e sinto e quase incorporo cada uma das tuas letras.

    Eu tentei comentar. Tentei, todos os dias. Mas não consegui. E eu sei que você me entende.

    [e o que faço aqui não é um comentário, mas uma agradecimento por estas palavras que são mais que um texto, são a mais linda celebração à eternidade de sentimentos eternos, ainda que finitos].

    Li mais uma vez…
    E a cada letra tua. Aqui dentro sinto tudo de uma vez. Lágrimas. Memórias congestionadas e um sorriso certeiro que vem à tona.

    Obrigada. É isso.

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