A tênue linha entre felicidade e clichê (linha?)





Uma pipoca bem doce, daqueles saquinhos cor-de-rosa (que você come uma vez, e depois come o pacote todo em busca de uma como aquela e nunca mais acha). 
Uma noz (que te faz ser o esquilo da era do gelo). 
Um olhar sorridente e brilhoso, acompanhado de um aceno (que não foi pra você). 
Um email “sem assunto”, daquela pessoa esperada (que era vírus).  
Um sapato lindo em promoção (cujo salto quebra na primeira usada). 
Um pote de sorvete que aparece, do nada, no congelador (e você descobre que é o resto do almoço de ontem). 
Um texto num blog renomado (que você descobre que é apenas senso-comum vestido de pseudo-literatura). 
Felicidade é o instante que antecede a frustração. 
É aquele momento que dura uma eternidade, que faz valer a pena estar no lugar e na hora errada.
Felicidade é aquilo que te permite transformar a vida em poesia.
É um instante em que corpo e alma são do mesmo tamanho. 
Felicidade não é uma escolha, é um atropelo.
Felicidade é aquilo que não serve pra nada, apenas pra gente se servir dela.

12 comentários em “A tênue linha entre felicidade e clichê (linha?)

  1. Uma das melhores definições de felicidade que eu já vi.

    Está sendo bom pesquisar blogs novos e ver que andam colocando muita coisa boa por aí.

    De verdade.

  2. “Felicidade é aquilo que não serve pra nada, apenas pra gente se servir dela.” Essa frase me encantou mais do que o texto inteiro. Ela se destacou, sabe? Me apaixonei por ela. E por você.

  3. “É aquele momento que dura uma eternidade, que faz valer a pena estar no lugar e na hora errada.”

    A eternidade é medida pelo sentimento, não pela duração.

    Ainda bem.

    Cada frase melhor que a outra, Ana, adorei!

  4. Forma descontraída de tratar de uma, talvez incômoda, verdade.

    Me fez lembrar de quando escreve-se um texto e no outro dia ele já não faz mais sentido, sensação que durou bem pouco.

  5. Dessa vez ousarei discordar. A felicidade pode durar mais que um breve instante, o problema é que, geralmente, a gente só reconhece quando ela passa.

  6. Flah, fico honrada com a sua discordância!

    =)

    Acho que a felicidade só existe desde que a gente a reconheça. Tipo aquela história. Se uma árvore cai no meio da floresta, e ninguém ouviu, será que o barulho existiu?

    E acho também que felicidade o tempo todo, é entediante. Rs…

  7. Ana,

    O que achei mais bacana do seu texto é que ele me fez pensar em outra linha tênue que há entre um sentimento universal e o clichê. Se todo mundo reconhece felicidade de um determinado jeito, é esse jeito que a leva a ser universal e, também, lugar-comum ou clichê.

    As pessoas criativas como você é procuram retratar a felicidade com outras imagens que não sejam tão batidas ou banais. Se bem que quem narra seu texto não esteja comentando sobre felicidade, e sim sobre frustração e atropelo.

    O verdadeiro felizardo assiste ao por do sol, pensa que fez um dia lindo, de muito prazer e diversão, e que um dia assim promete uma noite melhor ainda. Seu narrador pensa que fez um dia lindo, mas passou muito rápido e está acabando. =o(

    Abraço ;.)
    Jorge

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