amar é osso

pensa em alguém parado numa calçada. pois é, este sou eu. faz quase meia hora que tento atravessar a rua e não consigo. carros, motos, ônibus… e gente, muita gente. tem de ter paciência, viu. mas nada é em vão. quando me encosto na parede da esquina, para aguardar o movimento diminuir, olha lá quem vem, tá vendo? ela, a minha deusa, com quem sonho todo os dias, desde que a vi pela primeira vez lá na praça. ela, a mais graciosa, a mais bem vestida, a mais cheirosa, recém saída do banho, já farejo seu odor de menina-moça… e o garbo? ah, a elegância das bem-nascidas! ela se aproxima. estou nervoso, tremo um pouco, coço a cabeça, ando de um lado para outro, chego a perder a direção. vou fingir que olho a vitrine. nossa, como estão caras as coisas! de esguelha, vejo ela chegar, passos cadenciados… opa! mas quem é esse que vem com ela? não pode ser. minha nossa senhora do osso perdido, ela já arranjou um dono. cachorra!


4 comentários em “amar é osso

  1. Amar é osso e Clarice tem um cão pra amar e o chama de bobo. Aqueles dois textos dela me encontraram no seu, pelo avesso, o que me faz entender que é osso porque já comeram toda a carne.

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