caímos, faltou morrermos, então acabamos

As poucas palavras que tingem as linhas imaginárias daquele sulfite pardo, eram necessárias para expressar todo o sentimento e angustia daquela mulher. Ela tentava desesperadamente falar, pedir, gritar por ele. Aquele homem parecia não escuta-la. Tal qual uma cegueira, era a surdez. Um estado catatônico. O homem não mostrava sentimentos, não demonstrava apego. Tempos atrás essa situação era diferente. Oposta. Ele reagia a tudo e a todas. Reagia apaixonadamente, destemido.

Ela ja não tinha mais a certeza de antigamente. Sabia que perdia-o cada dia mais. Cada dia ele se afastava. Ele se fechava. Embrenhava-se numa busca incessante. O cão em busca do rabo. Era essa a sensação. Frustante.

Quando ela criou coragem, chamou-o. Colocaram-se frente a frente. Os olhos fugidios não permitiam uma troca verdadeira. As pupilas dela marejadas, as dele cerradas. Sem brilho. Sem vida. Opaca. Tinham deliberadamente esquartejado o que os unia.

Ela perguntava onde se perderam. Ele esquivava. Ela questionava se existia alguém. Ele negava. Ela pedia uma chance. Ele relutava. Ela pedia compaixão. Ele paz.

A idéia dela, era entregar a carta a ele. Aquele papel pardo. Escrito em poucas palavras.

Faltou-me coragem. Faltou-me saliva. Faltou um beijo. Faltou dizer: Morro de amores por voce.
Sendo assim, acabou-me. Acabou-se

10 comentários em “caímos, faltou morrermos, então acabamos

  1. PQP!! A dor entrou na minha veia, percorreu-me e saiu aos borbotões pelos meus olhos. Quando faltam saliva e beijo já é hora de pegar a lâmina para cortar os pulsos…..
    Maravilhosamente escrito por ClaudioMarques!

  2. Parece começo de capítulo de livro bom. Na verdade, último capítulo, se acabou.

    Você sempre consegue ser você, my friend. Sem mais!

    =D

  3. Uma história tão comum, tão dolorosamente comum… E pensar que poderíamos termos tomado esse caminho…
    Dói pensar nos casais que nunca tiveram chance de ir adiante por falta de coragem, de saliva…

    Ressaltando a importância do nosso diálogo <3

    Te amo cada dia mais, se é que isso é possível.

  4. Meu favorito da semana, Cláudio!
    História tão comum, triste, mas sem drama, daquele jeito que a gente lê e sabe que é de verdade, afinal não há ficção melhor que a realidade.

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