degraus

eu caio em ti

tu cais em mim

a espera do navio

tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum

depois singrar abismos

âncora alada

leme sem prumo

tum tum tum tum tum tum tum tum tum

oceano embriagado

regurgita ondas eletromagnéticas

bússolas em trânsito

tum tum tum tum tum tum tum tum

recônditos faróis

transidos circunavegantes  

cartografia nas mãos

tum tum tum tum tum tum tum

o timão roleta-russa

vira futuro revira passado

tum tum tum tum tum tum

transe

tum tum tum tum tum

até

tum tum tum tum

tum tum tum

ir

tum tum

em

tum

si

____________________________________________________________ .



5 comentários em “degraus

  1. No bom e velho psicologuês, Denison, cê conseguiu reproduzir um belo surto psicótico. Num primeiro momento, assistimos a um naufrágio de uma identidade pessoal no “oceano embriagado”. De degrau em degrau, um sujeito afunda, para que uma nova tomada de consciência venha à tona.

    Só que tem um detalhe: simultaneamente ao “transe” de um psicótico, o que existe na realidade é um poeta, almirante de si mesmo, com a sua própria “cartografia nas mãos”, a “singrar abismos” da poesia.

    Ou seja, meu caro: pra variar, o poema tá muito bom. Ou melhor, uma coisa de louco.

    Abração.
    Jorge

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