Ele ia beijá-la. Era o que ela queria. Então, por que ela sentia que estava num precipício, pronta para cair? (Blue Valentine)

Eles se amaram, se amaram.
Então o amor acabou.
(Espaço reservado para milhões de explicações-complexas-e-insuficientes na tentativa de justificar o fim do amor e culpabilizar alguém por isso)
O amor é como uma caixa de bis. Enquanto você não a comer enlouquecidamente até o final, não há sossego (e depois não há sossego também).

Consumar o amor é (con)sumi-lo.
Ontem ela chorou.  
Chorou porque era uma vez, ela deitava no peito dele e fazia verão em sua alma.
Hoje ela deitou no peito dele e encontrou um travesseiro desconfortável.
E chorou se lembrando da menina bonita que via nos olhos dele.
Hoje ela olhou em seus olhos, e viu pedaços de silêncio encarnados em seu globo ocular.
Chorou porque quando ele a tocava, seu corpo lhe gritava certezas.
Hoje ele a tocou e ela já não ouvia mais o próprio corpo onde ela morava.
Acabou a caixa de bis, já não havia nada a dizer.
O amor é feito de palavras a serem ditas.
O verdadeiro amor sempre é o que morre.
Chico Buarque





12 comentários em “Ele ia beijá-la. Era o que ela queria. Então, por que ela sentia que estava num precipício, pronta para cair? (Blue Valentine)

  1. Porra, Ana.

    Dá pra parar de entrar dentro de mim e me escrever? (egocentrismo, vc vê por aqui.)

    Genial, amiga. Genial.

  2. “O amor é como uma caixa de bis. Enquanto você não a comer enlouquecidamente até o final, não há sossego.”

    Confesso que de certa forma não pude deixar de ficar assustada e maravilhada ao mesmo tempo.É exatamente isso que eu procuro em um texto esse misto de sentimentos, e sempre me satisfaço quando posso de alguma maneira encontrar parte minha em alguma entrelinha; foi exatamente o que eu encontrei em seu texto e não só no seu, mas em tantos outros maravilhosos textos deste blog. Parabéns mesmo! <3

    http://www.eraoutravezamor.blogspot.com

  3. Afffff… “O amor é feito de palavras a serem ditas.” Perfeito!
    É a absoluta verdade… temos a impressão de que nunca conseguimos dizer tudo; fica sempre a urgência de se encontrar de novo pra dizer o que faltou…
    Quando o amor emudece é pq acabou.
    Beijokas e meu carinho.

  4. Ai!
    A maneira como você pintou o amor, Ana, fez tanto em mim. Veio me costurando sem doer, em cada palavra. E a minha vontade é ficar aqui, lendo, relendo, trilendo…

    Você é fantástica.

    Sinto muita vontade de te agradecer pelas coisas que você me faz sentir, pelo que você me proporciona através das tuas palavrinhas todas, que ganham forma. Por tudo isso que é palpável, embora intocável. Obrigada, mesmo.

    Acredite: teu texto possui inúmeros ápices, e eu me pergunto como isso é possível. O seu ápice se renova em cada vírgula.

    Pqp, Ana. Pqp.

  5. Eu quero sossego, mas também quero amor.

    Como faz?

    Texto tão de cada um de nós, Ana. Dizendo tantas dessas coisas que a gente costuma fazer questão de não ouvir porque nos gritam que algo se partiu.

    Lindo.

    Beijos!

  6. Ai Ana, já tive a chance de dizer em várias oportunidades, o quanto sua escrita me deixa impactada e tudo que ela provoca em mim…Dessa vez não foi diferente.

    Esse filme já tinha sido “um de direita” no meu queixo, e desde segunda-feira, desde de quando li você, não consigo dizer nada sobre essa, (sei lá como se escreve, se é esse ou essa), “tsunami” que me invadiu.

    Enfim, tá valendo demais, afinal, “a esperança é sempre a última…” e “sob os escombros sempre existe…” (o resto ce já sabe).

    Bom demais ler vc.

  7. Aninha, conforme comentei quando li o texto do Sal, essa semana vocês (me) arrasaram.

    Lindos, doces, tristes e muito, muito intensos.

    A M E I!

  8. é, quando a semana é produtiva como essa foi, bem se ve que textos excelentes nascem. Voce provou mais uma vez, numa releitura, pintura. Parabéns

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