Não desista de mim.

Amor,
me desculpe por estar lhe escrevendo novamente, mas eu não consigo descansar enquanto não entender. O que foi que eu fiz para que você me deixasse assim, sem aviso prévio? Na verdade, nem depois você falou nada. Simplesmente acordei aquele dia, olhei para o lado, e você não estava mais lá. Restou apenas um vazio enorme no peito, que tento a todo custo preencher com lembranças e canções, mas nada adianta. Quero você de volta, por favor, eu imploro. Como eu faço para você voltar?

Por que você torna tudo mais difícil? Tenho que dizer que você não é a única, esse seu bilhete já recebi muitas outras vezes, escritos por outras mãos, com outras letras, mas sempre o mesmo. E minha resposta não muda: não vou voltar. Os motivos não importam. Além do mais, se você não sabe como eu iria saber? Desista.
Amor,
não posso desistir de você. Não desista de mim. Não sei viver sem aquele brilho no olhar que só você consegue causar. Sinto falta de tudo, da sua companhia, daquela presença que você era, o tempo inteiro do lado dentro, não me sentia sozinha nunca, mesmo que não tivesse ninguém do meu lado. Até a raiva que você me provocava às vezes me faz falta, toda aquela confusão de sentimentos que, no fundo, me diziam: você está viva, só quem vive e se entrega sente tudo isso. É tudo meio morto sem você aqui. Ah, quer saber? Eu duvido que você não volte. Sei que, quando eu menos esperar, quando me distrair e desistir de você, aí você vai aparecer virando meu mundo de cabeça pra baixo de novo.

Agora você está começando a entender. Faça isso, então. Viva, esqueça-se de mim, trabalhe, viaje, passe mais tempo com seus amigos, conheça novas pessoas. Quando você menos esperar vai me encontrar nos seus olhos de novo. Só peço que dessa vez me dedique a alguém que cuide melhor de nós. Não é porque não tenho corpo que não sinto dor.
Ass. O Amor.

12 comentários em “Não desista de mim.

  1. Carina,

    Estava sentindo falta de ler você, sabe?

    A partida silenciosa do amor, nossa como machuca. Acho que prefiro quando ele faz aquele barulho quase insuportável. Tenho medo do silêncio, confesso.

    Mas “ele” tem razão. Não é obrigado aguentar todos os nossos desaforos. Que da próxima vez possamos cuidar melhor, entregar esse gigante sem corpo para alguém mais cuidadoso.

    Um beijo

    https://twitter.com/#!/Contradita

  2. “o amor é uma companhia.”

    gosto do efeito de achar que lia uma coisa, e perceber que na verdade, eu não lia o que lia.

  3. Amar é o altruísmo mais egoísta que existe. E não sei, não sei se de fato nós, seres humanos, já aprendemos não só a amar, mas COMO amar.

    O amor e eu andamos meio de cara virada um com o outro, mas depois de ler seu texto talvez essa briga se abrande 🙂

    Beijo, Carina!

  4. Carina, enquanto eu lia seu texto dessa semana, confesso que a falta de “timing” entre os “protagonistas”, estava me deixando um pouco desconfortável.

    “Mas eis que” surge aquele final completamente inusitado e perfeito, e não pude deixar de lembrar de Tempo de Amor, mas em uma versão tão surpreendente quanto…

    Talvez você já a conheça, de qualquer modo, deixo aqui com muito carinho e em gratidão, por todo o bem que você nos faz.

    Espero que você goste (mesmo sendo um pouco mais rox, como eu…rs)

    Tempo de Amor – Seu Jorge & Almaz

    P.S Ah, eu li seu texto da outra semana, e até agora fico de olhos marejados, sempre que passeio pelas “pautas” dele…

    P.S do P.S Desculpe pelo comentário em versão extended.

  5. Parece metafísico, mas “afinal o amor é tão carnal”, cantou o Zeca Baleiro.

    E o amor só aparece quando a gente se distrai, por que nos assusta?

    Lindeza de sacada a sua, Carina!

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