(pre)fixo em mim

Me recuso a ser chamado disso. Não deixo que me chame assim. Não quero.

Quando nos conhecemos e adentramos na intimidade alheia, foi em comum acordo e da maneira mais natural possível, encaixamos carinhosos apelidos em nosso dia a dia. E agora, voce quer subitamente me fazer engolir isso. Sem nem me consultar? 
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Me questionam como não enxerguei antes.
Dizem que vou sobreviver.
Que logo vou encontrar alguém que ‘me mereça’.
Ouço todos falando que sou forte e vencedor.
Tenho ombros e ouvidos para quando precisar. A qualquer dia e hora.
Que ela vai sofrer. Se não agora, depois, quando perceber o que perdeu.
Que ela não esta pensando racionalmente
Talvez queira um tempo.
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PAREM. CHEGA.
De uma vez por todas;
Não busco desculpas.
Não quero outras,
Não preciso de piedade.
Sim, eu sei que não se morre por isso,
Mas me deixem tentar. Ao menos entender.
Preciso saber o que aconteceu. Como aconteceu!
Como ela pode acordar um dia e de forma tão singela e peculiar me presentear com aquele adorno.
Aquele prefixo.
O mais escandaloso, mentiroso. Uma afronta a minha pessoa. 
Sim, ela me deu o tão repugnante ex.
E assim, me nomeou: ‘De hoje em diante, és meu ex-amante, ex-companheiro, ex-amor, ex…
ex-queci de ti….
Agora estou aqui, sozinho, esperneando. Procurando uma explicação.

6 comentários em “(pre)fixo em mim

  1. Maldito (pre)fixo. Só de pensar nele tenho vontade de vomitar. Um desconjuro, afronta.

    História. Felicidade compartilhada. (Ex)-capou!

    Depois lembro que nem todo (ex) é abominável. De vez em quando é preciso deixar partir. De vez em quando sobra algo doce para lembrar.

  2. A maneira como você consegue aproximar sua escrita de nossas vivências é impressionante.

    É como se você tivesse acesso aos diários, aqueles antigos, escritos à mão e guardados no fundo da gaveta. Lá abrigávamos um mundo…

    Mais de uma vez cogitei a possibilidade de você ter encontrado o meu.

    Suas letras fluem no pensamento e no coração. De um modo único.

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