Se puder transformar em música, então valeu a pena

Quando você chegou eu não sabia.
Você era um menino que gostava de rock e cantava pra mim ao telefone.
Eu era uma menina que gostava de rock e de flores e serenatas.
Com as primeiras notas musicais, comecei a sentir o coração dançar.

Amor.

Vivemos momentos, criamos história, colecionamos palavras trocadas em frente à fogueira.
Dançamos sonhos, desenhamos músicas, contemplamos milagres do topo do mundo.
Escrevemos paisagens, sonhamos amor, sorrimos cumplicidade de peito aberto.

Mas, aos quinze anos não se espera que um amor seja para sempre, por mais eterno que seja.
Por mais que soubesse disso, e por mais que a decisão do final tivesse sido minha, eu a odiei.
Eu te odiei.
Eu me odiei.
Odiei nossa finitude.
Odiei a minha falta e a minha falha.
Eu não queria mais amar, não se tivesse que terminar.

Mas o ódio não foi páreo para o amor.
E eu amei, de novo, de novo, e mais uma vez.
Amores tão diferentes quanto os estilos musicais.
Vivi amor MPB, amor samba, e até um amor ópera.
E em todos eles eu me lembrava de você.

Há dezoito anos você me disse: se puder transformar em música, então valeu a pena.
Eu não sei transformar em música.
Mas eu tento transformar em letras.
Então senta, e me escuta, ex-amor.
Eu fiz o que você me ensinou.
E agora tenho muitas histórias pra contar.

10 comentários em “Se puder transformar em música, então valeu a pena

  1. A gente não aprende no espelho, a gente vive e sofre pra aprender. E cada amor é tanto e diferente.

    Meus tons estão borrados. Eu tenho um medo bem grande, agora. Medo de deixá-lo passar – porque eu sei que passa. Medo de deixar de amar. Embora eu saiba também que o amor é sempre novo. Vive nascendo e morrendo, nascendo e morrendo, nascendo e morrendo. É como a respiração, você inspira e expira; inspira e expira. Não guarda dentro.
    Você dança.
    Faz música.
    Poesia.

    E sabe: valeu a pena.

    Menina, encantadora, como sempre.
    Para você, todo amor que houver nessa vida. Para nós, a delícia de [ouvir] ler as histórias que você tiver pra contar.
    Beijo, querida.

  2. Silenciei desde o título.

    E desde então, tanto de mim fez eco, que confundi-me.

    Carina, por que dizes da alma feminina sem a aprovação do comitê de ética? rs.

  3. Com as primeiras notas musicais, comecei a sentir o coração dançar. Embora não seja meu jeito de amar, gostei das tramas sobre um amor que não morre em seu poema. Tá longe ser uma letra, mas isso não me impediu de ouvir Roberto cantando “Detalhes”.

  4. E eu quase chorei, Carina! Juro que quase chorei…

    “Eu não sei transformar em música.
    Mas eu tento transformar em letras.
    Então senta, e me escuta, ex-amor.
    Eu fiz o que você me ensinou.
    E agora tenho muitas histórias pra contar.”

  5. Ainda bem que so vim ler teu texto depois de escrever o meu. Eu não conseguiria digitar uma frase sequer.
    Voce foi surreal. Um texto digno de se favoritar. Guardar. Reler. Mostrar pra todos.
    Parabens amiga!

  6. So me esquecerei de ti, quando opintor conseguir transpor para a tela o som de uma lágrima de amos

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