A mentirosa arte das aparências

Eu tinha certeza absoluta que era amor. Não tinha dúvidas. Foi assim que me apaixonei. Que acreditei em teu riso, em tuas gargalhadas. Foram todos esses anos ao lado teu que me proporcionaram a aparente sensação de ser amada. Foram todas as nossas viagens. Todos os nossos filhos.

Os Natais, reveillons, festas de familias. Você me passava segurança. Minha fortaleza. Ao teu lado eu faria o impossível, contigo me sentia mais mulher. Mais amada. Até nas épocas difíceis, onde as preocupações assolavam todos os teus pensamentos, me sentia desejada.

Desde que te conheci, amei intensamente apenas uma pessoa. Sim, você. Te amava numa proporção abissal. Tão grande e plena, que aceitei naquele 19 de junho, dizer sim. Sim, te aceito. Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Eu disse sim, convicta. E perante todos, voce respondeu. Em igual intensidade.

Nunca esperei viver felicidade em plenitude. Nossa relação era uma troca tão saudável, um bem-me-quer eterno, um eu-te-amo diário. Eu fui capaz de entregar-te junto com aquela aliança todo meu coração. Todo meu sentimento, todas as minhas noites não dormidas por conta de suas dores de cabeça, todos os beijos de bom dia, todos os banhos que esquecemos de tomar. Tudo com você, era meu tudo.

Ainda hoje me pergunto, como você teve coragem de fazer isso conosco? Se fosse apenas comigo, eu sei que levantaria da queda. Mas você foi inconsequente.

Explanou minunciosamente toda nossa trajetória, rebaixou-me a uma qualquer, tocou em assuntos enterrados, lavou suas sujeiras com minhas lágrimas, riu de meus soluços, lançou na minha cara todas tuas mentiras. Mentiras rebuscadas.

Buscadas no âmago de nossas crises. Você foi um artista.

Enganou todos nós.

Eu,
você
e o amor.

4 comentários em “A mentirosa arte das aparências

  1. Incrível esse post!Engraçado que tem gente que finge e até finge que sente,mas ninguém sente mais do que quem ama verdadeiramente.
    adoreii,=)

  2. Primeiro de tudo: adorei o texto!
    E fiquei pensando, como sempre fico quando ouço histórias de “enganação”, principalmente quando são relações longas, ou coisas graves, o quanto a pessoa que foi “enganada” deixou que aquilo acontecesse. Impossível o outro nos enganar tanto sem que nós deixemos, de uma maneira ou de outra.

  3. Texto duro,exato, cruel . Cruel como todos os enganos ou desenganos ou farsas. Triste como o da jovem lourinha que se casou com o rico empresário japonês…Ainda bem que o final não foi tão trágico! Comovente!!!

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