imago

distante silêncio pálido pesar, aziaga noite véu fuligem pela órbita retina… aquela casa…
quando venta cresta o céu, reinventa-se a nuvem… aquele olhar…
pende do rosto onda que a rocha sofre… aquela lágrima…
tem literárias asas canto, solista de palavras que adejam… aquele voo…
tem o encanto da surpresa, soluço encontro cálido do peito… aquele abraço…
quando das esperas invernais, tardias noites escritas em retalhos violentos de pele, ainda não há ninguém nem… aquela saudade…
navios presos no cais de águas barrocas de um quadro que esconde a ponte que leva distâncias, faz-me geadas… aquele lugar…
arminhos grãos esboçam rabiscos de passamanes ao vento. enristados caminhos a gizar gris molduras imaginárias… aquele tempo…
fustiga por dentro a cravar dizeres e por fora o calar das poças… aquela chuva…
do outro lado vastidão a não mais chegar, devaneio lento linhas lendas enlaces… aquela margem…
litúrgico tugido em prece de salgados arrepios, túrgidos montes vales abismos curas… aquele corpo…

3 comentários em “imago

  1. Acho impressionante o alcance sensorial dos seus textos, Denison. Sempre que os leio “sinto” as palvras, o ritmo, o toque.
    Belíssimo texto, como sempre.

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