Para o meu bem, meu bem

Não te dou todo o meu amor.

Você pode pensar que é mesquinharia minha, mas é para o nosso próprio bem, meu bem. 

Todo o meu amor é algo que está para além de mim. Meu corpo consegue carregar apenas uma parcela do amor que tenho por ti, e, olha, eu preciso guardar uma reserva pra mim. Sim, uma reserva. Isso mesmo, como se fosse dinheiro ou gordura. Algo com o qual eu possa me sustentar, no caso de você ir embora, ou no caso de me faltar o alimento. Não te dou todo o meu amor para o meu bem, meu bem.

Todo o meu amor é algo que lhe seria insuportável. Quando me lembro disso, economizo o meu amor, ao invés de derramá-lo todo em você. O amor é a mistura de todos os sentimentos, não é coisa fácil de se sustentar. Se eu não economizasse o meu amor, você correria risco de vida. Não te dou todo o meu amor para o seu bem, meu bem.

Todo o meu amor é algo que eu nem sei onde está. Por aí, universo afora. Eu, sem sombra de dúvida, enlouqueceria plenamente se lhe desse todo o meu amor. Não sei ser plena em coisa alguma, eu sempre preciso reservar um pouco de mim, em todos os lugares/pessoas/coisas com os quais eu me meto. Não te dou todo o meu amor porque não sei onde ele está. Que sorte a sua, meu bem.

4 comentários em “Para o meu bem, meu bem

  1. ” Não te dou todo o meu amor para o seu bem, meu bem.”

    Uma das maiores verdades do mundo. O que é todo, normalmente é demais. Mas, como é difícil dosar.

    Lindo, lindo texto, Ana!

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