Tudo não é nada perto do amor

O que você quer de mim? Posso dizer que te amo, que vou sentir saudade, que vou escrever todos os dias e que todo meu amor continuará sendo seu. Aliás, não só posso como digo tudo isso. Hoje, meu coração está tão apertado por te deixar que não sei nem como estou conseguindo escrever esse bilhete. Meu corpo todo está contraído, tentando não ir, desejando ficar, querendo grudar em você para sempre. É essa a minha verdade hoje. Mas não posso te garantir que daqui a seis meses ainda me sentirei assim. Aliás, o mais provável é que não me sinta – o que não quer dizer que eu não vá continuar te amando. Só que o amor, todo o amor, é algo infinito demais, complexo demais. Todo o amor é a mesma coisa de toda a vida. Inclui paixão, raiva, desejo, tédio, conforto, carinho, preguiça, coragem. Tudo que sentimos e não sentimos faz parte do amor, por isso é impossível dar garantias. Não há garantia no amor, assim como não há garantia na vida. Só podemos garantir o que é estático, imutável, e a vida, e nós, felizmente, não somos. Cada dia, cada escolha, é uma chance de fazer algo novo, de se distrair e cair e se levantar. Não posso te garantir os meus sentimentos, assim como você não pode me garantir os seus. Mas posso dizer que eu te amo, hoje. E que quero continuar te amando, e que espero que a coragem necessária para viver esse amor continue comigo. E que, quando ela falhar, você esteja do meu lado, com a sua coragem, para me lembrar quem somos. Tudo isso que te falei agora são verdades para mim. Acredito em cada uma dessas letras. Só que tem um porém: ao mesmo tempo, não acredito em nenhuma explicação, racionalização, teoria ou previsibilidade pro amor. Porque tudo muda, tudo anda, tudo passa, mas tudo não é nada perto do amor. 
Então, esquece tudo e lembra só disso: eu te amo, vou morrer de saudade, vou te escrever todos os dias e todo o meu amor continuará sendo seu, hoje e sempre.

4 comentários em “Tudo não é nada perto do amor

  1. Que trem mais lindo. Acertou no alvo ao falar de amor. Tem tanto texto, né, tanta teoria, fórmulas e afins tentando explicar amor, como conseguir um e como se desgarrar daquilo que a gente já amou. Mas é amor é aquele trem único que a gente sente e, dependendo da intensidade, torna-se palpável. Assim como a decepção e a ilusão vindo desse mesmo amor, outrora tão perfeito.

    Parabéns, Carina!

  2. Eu te amo para todo sempre que puder/merecer ser cultivado.

    Termino de ler mais um texto seu com aquela impressão: garimpadora do indescritível.

    Meu respeito, aplauso e respeito.

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