Maldita

Esse negócio de amar por inteiro é coisa de mulherzinha. Homem que é homem, ama por uma parte. Eu amo todas as mulheres, cada uma ao seu modo. Em algumas são os seios que me seduzem, noutras são a bunda, teve uma vez que me apaixonei por um umbigo, e já me apaixonei por cabelo também. E geralmente é assim, me apaixono por um pedaço do corpo, mas como não dá pra transar só com um pedaço do corpo, acabo tendo que suportar todo o resto junto. Aí vem a encheção de saco, as loucuras de cada mulher, o que faz com que as minhas paixões durem entre 30 minutos e 3 dias. Só que aí teve essa vez, que esse tal de amor me atropelou. Dessa vez eu me apaixonei porque ela fazia análise. Aí eu, que sempre gostei de controlar as coisas ao meu redor, sem pensar, pensei que seria bom me casar com uma mulher que faz análise. Sim, porque todo mundo sabe que quem faz análise tem problemas. Principalmente alguém que mora na praia. Sério, quem consegue morar na praia e ter problemas suficientes pra pagar análise? Ela só podia ser muito surtada. Insegura, ia ficar na minha. E foi assim que eu fiquei na dela. A desgraçada era feliz, vivia sorrindo e me amava. Maldita, me fazia pensar que devia ter outro no pedaço por ela estar tão feliz. Não tinha como EU, levemente falido, com uma tendência à depressão, fazer uma mulher ser tão alegre cheia de si. Foi assim que eu fiquei paranoico. Ferrei com o nosso relacionamento matando aquilo que ela sentia por mim, e agora deus vai me castigar, de forma que estou certo de que nunca mais vou conseguir me apaixonar, é claro que eu serei broxa em poucos anos. Ninguém fode com uma história de amor tão bonita, assim como eu fiz, e sai impune. Vou te amar pra sempre, Malu, como castigo pela minha idiotice.
Luiz Mário, aquele dia na praia, fui eu quem te atropelou, e não o amor. É verdade que a gente se amou, eu acreditei no seu amor e fui feliz ao seu lado. Era doce e se acabou. Liga não, o amor é assim mesmo. Logo você se encanta por outro pedaço de corpo. O amor é só uma coincidência. 

6 comentários em “Maldita

  1. “o amor é só uma coincidência“
    É Ana, me ponho a pensar que bem na real toda a vida (e a vida toda)é coincidência.

  2. E dá-lhe análise e escritos pra suportar as diferenças nas formas de amar, rs

  3. Incrível!

    A gente desperdiça tanta coisa, achando que é mais um amor habitual, mas era mais. O amor é uma coincidência, mas que deve ser levada à sério, né?! Eu acho, é lindo.

  4. “Ninguém fode com uma história de amor tão bonita, assim como eu fiz, e sai impune.”
    O preço alto que pagamos por não querer pagar o preço. Acho intrigante (e assustador) como muita vezes tentamos não pagar o preço de viver, amar, arriscar, sem perceber que acabamos pagando com a própria vida.

    Belo texto, Aninha!

  5. o final do teu texto “o amor é só uma coincidência” me lembrou do contraste da fala de uma personagem em outro filme que virou textos por aqui, o Amor e outros desastres, “o amor não é sempre como um raio, às vezes é só uma escolha”. Coincidência ou escolha. Vá saber, o que eu sei é que gostei desse teu jeito diferente de escrever, mais ácido, com mais “sal” digamos hahahahahahahahahaha. Desculpe-me o trocadilho e aceite meus parabéns pelo belo texto.

    baci,
    @paraquenomes

    ps. quero vc e gabriel no rio em novembro, isso é uma intimação, não um convite!

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