Ai de mim, que não sei morrer de amor.


Sei que fui eu que terminei com você. E sei que eu estava errada naquela discussão. Embora eu nem sempre confesse, sempre sei qual é a minha parte nas nossas brigas. É que eu já não suporto mais te amar. Fico o tempo todo achando que eu amo mais do que você, que isso não é justo, e isso me machuca. Eu sei que você me ama, só que o seu modo de amar é diferente do meu e blá-blá-blá. (Aliás, eu sei de um monte de coisas que não me servem de nada saber.) Só que o amor não é uma coisa completamente boa, leve ou linda. Secretamente, eu sempre soube disso. Por isso que desde pequena eu nunca quis me apaixonar, só queria um cara que fosse meu amigo e que eu sentisse tesão por ele. Aí vem você e pam!, causa um terremoto nos meus pensamentos e me faz ficar em dúvida se estou amando ou se estou burra mesmo. Você sabe, eu prezo muito pela intelectualidade, tenho uma séria relação com o saber e pra mim, isso de tentar ser inteligente é muito importante. Só que o amor está sempre na contramão dos meus lindos pensamentos, que junto com os sapatos, são os meus fetiches. Você pode imaginar como é caro pra mim ter que abrir mão da intelectualidade para amar? Vejo Romeu e Julieta, Werther, Sylvia Plath, Florbela Espanca e fico pensando que seria mais fácil morrer de amor do que viver dele. Ai de mim, que não sei morrer de amor. E ai, como dói viver de amor. Eu certamente seria mais inteligente se pudesse prescindir dele. E não me venha com esse papinho de que eu seria mais infeliz se não amasse, porque quem já sofreu por amor sabe que isso não é beeem verdade. É assim, eu tenho muitas coisas pra fazer nessa vida: estudar, trabalhar, viajar pra lugares bonitos, ver filmes, comer coisas gostosas, tomar bons vinhos, sério, tenho muita coisa mesmo pra fazer nessa vida. Mas acontece que o amor é a minha coluna vertebral. E apesar de aparentar estar na flor da idade, tenho uma coluna de 150 aninhos. Enfim, to dizendo tudo isso porque queria te pedir desculpas sem pedir desculpas. Mas essa história de dizer “b” quando quero dizer “a” não parece nada inteligente, né? Mas acho que isso é amar.

10 comentários em “Ai de mim, que não sei morrer de amor.

  1. Aí vem você e pam com esse texto, né? Que lindo tudo, que bom de se ler e viajar, ainda mais ao som de Wando.
    “Ai de mim, que não sei morrer de amor”, Ana, tu é brilhante!

  2. A, fiquei pensando que ninguém morre de amor, não realmente por amor. Nem Romeu, nem Julieta, nem a Florbela Espanca ou aquela mulher do noticiário. Acho que as pessoas ficam exaustas de viver por amor, e desistem, desistem dele, da vida e de tudo mais que existe nela sem ele.

    E, penso também que sem ele, sem ele nas suas variadas formas, a morte vem nos visitar vezes demais.

    Amor na contramão, blaf. Sem ele, perda total? Ah, entendo coisa nenhuma dessa equação, então.

    Um beijo

  3. Coisa mais linda!!
    Depois volto pra fazer um comentário digno de suas palavras.
    Estou perdida.

  4. ‘Mas acontece que o amor é a minha coluna vertebral.’

    Pessoa, eu poderia te dizer mil coisas nesse momento, mas lido tanto com essa coisa de pensar saber o que eu não sei do amor que, bah…

    Então: PARABÉNS!! Você não é nada menos que fantástica! Nunca tire seus escritos da minha visão. Pelamor! Um beijo…

  5. Como dói viver de amor.
    Como dói viver de amor.
    Como dói viver de amor.

    Como dói escrever amor.
    Como dói escrever amor.
    Como dói escrever, amor.

    E, ler o que você escreve de amor também dói, ao mesmo tempo que é bom. Assim como o amor.

    Tão lindo, Ana.

  6. Ai Ana, essa semana só vim comentar depois de conseguir escrever. Foi um parto.
    E esse teu texto me deu uma certeza, uma visão diferente.

    Um amor que dói, rói, corrói. Rima. Em cima, em baixo. Toca em todos os nossos pontos cardeais.

    Dizer que não quando se quer dizer sim. Aceitar a mentira quando a verdade machuca. É tudo amor.
    São aparências. São evidências.

    Somos nós. Errados, errantes. Amados, amantes.

    Adorei ana!

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