De dizer que não te quero

Deixei a porta aberta, quando dei por mim você já tinha entrado.

Essa é a minha loucura do momento – quanto tempo dura um momento? – dizer que não te quero, Amor. Talvez seja sofrimento de sobra ou, quem sabe, desilusão a mais. Mas não quero me defender, quero me entregar. Faço amor, nunca fiz guerra, só a de travesseiros, quando éramos três, brincando inocentemente. Eu, você, o amor. Que antes de pular a janela e sair fugido, olhou pra trás sem dizer palavra, mas era como se tivesse dito “Um dia hei de voltar”. Não quero perder as esperanças, mas sei que viver sem amor tem sido difícil, sem graça, falta sabor. E o que fazer com aquela vontade de estufar o peito e cantar a música mais brega do Roberto? Mais ainda, de no meio de uma tarde qualquer me pegar rascunhando versos para o madrigal que só você merece? De te levar pra ver o pôr do sol? Não quero perder a fé, não me permito me apartar de mim, só porque você, Amor, saiu sem dizer adeus. Não quero ver sonhos naufragados, não quero mais poder deixar de querer. Esse verbo, tantas vezes usado aqui, propositalmente, é o que me traduz: Sobra querer onde falta amor. Tantos questionamentos…

A casa toda desarrumada, ainda assim acolhedora, será que você terá disposição de arruma-la junto comigo?

Cinézio Córduba – Convidado especial da semana.

4 comentários em “De dizer que não te quero

  1. Tenho alimentado diariamente minha esperança pelo amor. E ler este texto é essencial para a manuntenção do amor.

    Tmb estou a procura de alguém que me ajude a arrumar a desorganização.

    Beijos no autor. ;*

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