E de tanto [ ] eu [ ].

Não venha me pedir desculpas. Desculpas não é coisa que se dá. Eu te desculpo toda vez que posso, mas nunca escolhi te perdoar. Quando dou conta de mim, já te desculpei e estou te amando de novo. Quando percebo você, já te desculpei mas não te quero mais. Desculpa, você estava certa e eu errei, agora reconheço isso e blá-blá-blá. Obrigada por inflar meu ego, queridinho, mas desculpa não tem nada a ver com isso. Desculpas você me pede com os olhos, perdão os seus dedos dizem à minha pele. O meu perdão, a sua res-piração alcança em mim quando me pira também. E nada disso passa pelo  meu raciocínio, a minha matemática é coisa que só a sua pele sabe a fórmula. Ah, como eu te amo!


E de tanto a mar, me afoguei

E de tanto me afogar, me amei

E de tanto me amar, você me amou também

E de tanto você me amar, eu te quis

E de tanto te querer, eu não quis mais

E de tanto não querer mais, eu senti

E de tanto sentir, sinto muito

E de tanto sentir muito, me permiti

E de tanto me permitir, me amei

E de tanto me amar, amei o amor

E de tanto amar o amor, deixei de amar você

6 comentários em “E de tanto [ ] eu [ ].

  1. Fala sério….Uma estocada no peito este texto!!! Devia ser proibido escrever essas coisas que machucam tanto!!! Você foi demais, Ana!!!

  2. finge que me engana, que eu não finjo que te amo. seu texto fala dos amores onde uma das partes vive de pedir desculpas, e a outra apenas de amar, sem esquentar muito a cabeça, mas fingindo que sim.

    começamos bem a semana!

    besos,
    @paraquenomes

  3. Ia grifar um trecho pra colocar aqui, mas tive vontade de grifá-lo inteiro.

    Daí ia escrever alguma coisa, mas você já disse tudo.

    Belíssimo texto, amiga.

  4. “E de tanto amar o amor, deixei de amar você”

    Tenho duvidado da minha capacidade de amar, mas este texto renovou minhas esperanças.

    Não viver um amor daqueles que te machucam a alma é não saber amar?

    Ca.

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