enamoro-te lugares dentro de mim

quando olhares pela janela as antenas a sangrar o cinza tenso
sorri uma lembrança que te faz cócegas
garoa que pulsa
retina que refaz caminhos
peito a tamborilar canção
olha para dentro as pegadas que deixei
andar de pássaro
onde faz ninho sua cura
dos tropeços de saudade
onda à deriva
sina de esperas
nuvem com pressa de paisagem
sinuosa tela que pinto com olhos em guache
d’águas fonte que abismo
ecos da pedra
vertendo vigílias no escuro das palavras
pois em claros amanheceres ergo
orações por ti
no terço cotidiano das horas
meus pensamentos tão distantes
concretizam a fé
unidos dentro de nós
sempre pertos
nossos goles
fogueira
folia
sopros
traduzidos em tintas folhas
nosso chão
lavoura cerzida no tempo
nossa paz molhada com o cheiro da chuva
é tempo de colheita
meu amor
para todo aquele que escolheu
morada que te habito

4 comentários em “enamoro-te lugares dentro de mim

  1. “nuvem com pressa de paisagem” é só um exemplo de como fico horas degustando cada uma das tuas frases, Denison, sem nunca saber qual é o sabor verdadeiro dela. Só sei que é muito bom.

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