Minha mente, torturante mente.

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Ela já está quase sem roupa e a festa nem acabou.
E eu assistindo… Ela adora me torturar.
Nos beijamos mais cedo, escondidos num canto escuro dessa festa. E agora estou aqui, sendo consumido por esse sentimento irracional.
Agora ela está chamando um táxi. A mão dele na cintura dela, mas descendo e subindo, acariciando as curvas macias daquela linda criatura.
Eu mal consigo olhar, mas me obrigo a acompanhar cada movimento dela.
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Ela já se foi com ele.
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Mas ela estava na festa e esteve comigo.
Ela chegou depois de mim, justamente quando eu estava olhando para a entrada, procurando uma saída. E ela apareceu.
Quando eu cheguei, estava sozinho, a música tocava alegremente, a comida estava servida e a bebida sendo distribuída.
Os garçons passavam por mim sem nem piscar. Eu tomava uma taça atrás da outra. Não suportava estar ali.
Mas tivemos um beijo. Foi apenas um beijo.
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Não consigo acreditar que ela se foi com ele. A festa inteira virou apenas uma lembrança, um lembrete de todo o ciúme que sinto dela.
Mas algo está errado. Minha memória está confusa.
Sei que bebi muito ontem, mas as pessoas, a comida, as pessoas e a bela criatura estão difusas, não lembro mais do que aconteceu.
E ao tomar meu copo d’água, começo a relembrar que ontem eu bebi, mas bebi sozinho.
Não houve festa, não houve mulher, não houve ciúmes.
Foi só um sonho, não houve beijo.
Justo agora que eu achava que estava me recuperando.
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