O último perdão

Te perdoo os erros, os medos e os ciúmes. 
Te perdoo os silêncios, os sumiços e as omissões. 
Te perdoo os ataques de raiva, o telefone desligado, a porta batida na cara.
Te perdoo os sonhos partidos, a realidade distorcida, as ilusões exageradas.
Te perdoo as mentiras, e perdoo sinceramente as verdades.
E se perdoo tudo isso, porque não perdoar a boemia?
Noites em claro sem notícias suas enquanto você vadiava pela Lapa? Perdoo.
Amanhecer com olhos pesados e a cabeça doendo de preocupação enquanto você via o nascer do sol em Santa Teresa? Perdoo, também.
Isso não é nada, meu amor. 
O perdão mais difícil é o que tenho que dar agora. Depois de tanta luta, e de tanta solidão ao seu lado. De tantos perdões pedidos e concedidos. Agora é que provo minha capacidade real de perdoar, por amor.
“Te perdoo por te trair.”
*Te perdoo por te trair é parte da letra da música  “Mil perdões”, de Chico Buarque.

8 comentários em “O último perdão

  1. “Te perdoo os ataques de raiva, o telefone desligado, a porta batida na cara.” – basicamente, sou eu falando! E tenho pedido tanta desculpa por portas batidas que chega a ser chato…
    Adorei, mesmo!

  2. “Depois de tanta luta, e de tanta solidão ao seu lado”.
    ……………….

    De tanta imagem que tuas palavras fizeram, nesse texto, eu poderia ilustrá-lo, se soubesse desenhar.
    Quis mais.

    E o final arrebatador com Chico? Ah, Chico!
    Ah, menina, quanto amor por tuas letras.

  3. Incrível como você consegue sintetizar um turbilhão de nuances. Termino de ler sempre meio exaurida, meio renovada. Seus textos e os efeitos deles na minha cabeça, um dos meus paradoxos prediletos.

    Quantas coisas perdoa o amor. Penso até que, muitas vezes, perdoa até as traições que fazemos contra nós mesmos. Esse pode ser o inferno.

    Beijo Ca

  4. Há aqueles que sabem escrever seriedades, pra esses, tiro o meu chapéu sério.

    Há aqueles que sabem escrever piadas, coisas leves e superficialidades, pra esses, dou meu sorriso sem graça, pela total ausência de humor.

    Há (graças a Deus!) gente como você que, além de escrever lindamente sobre o mais real em nós, (nossas sentimentalidades), ainda o faz com essa força doce, com esse poder de colocar concretas as palavras que sentimos e vivemos.

    Que a vida te mantenha sempre assim, poderosa de sentir e escrever! Bravíssimo!

  5. Desculpa, apertei antes na mensagem anterior….
    Eu não conhecia esse seu blog, apenas o outro… e havia me ausentado, agora que te achei outra vez, fiquei!

    bjsMeus

    Catita

  6. Leio seu texto com gosto de despedida. Acho que quem tudo perdoa, deixa de amar.
    Belíssimo texto, minha amiga!

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