indelével vestígio da chuva

e se amanhã o nunca
lanço teu nome no escuro
a amaldiçoar esfinges
eu habitante inculto deserto
tapera de ventos e grãos de luar

um quarto de hotel tem o dom da solidão…
repiso-me pegadas pela aldeia de um corpo ausente. milagreiro de fronteiras inabitáveis, desapareço. do fragmento exposto, rompo passagens, fraturas, paragens nunca vistas. dissimulo-me imerso nos desatinos dos espelhos. lembro da desgarrada balsa no postal. selo vermelho noturno batom. sem palavras nem saudades. odor de maresia ferrugem. ouço ainda os nós da garganta. brado solto a espalhar vozes de lágrimas. lamúrias de retratos a fremir ondas. ressacas de tempo e de fúria. danço-me ventanias com passos de brisa… pois da noite do teu olhar derramo até o amanhecer.
… sigo a morrer de amor para ressuscitar no outro…

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