lagrimares

por que choras este choro de chorosas angústias?
são lamentosas figuras delineadas em sisudas escarpas sinuosas, que bailam um bailado estridente mudo. do subterrâneo vem o berro. noturno canto. a garganta venta um ventoso desterro. queixume de nuvem. pranto. semeadura do rio. filme velado. passagens sonolentas de adormecidas vontades. deixo cair da pálpebra insone os venenos pecaminosos, reverbero o delírio de oceano, a tormenta tormentosa dos dias, o inclemente cotidiano de quem atraiçoa o verbo.  
porque me traio na desleitura descrita nos irrequietos e curiosos arrebatamentos.
ainda chove no relvado de brancuras silentes.
encontra-me às margens de mim.

3 comentários em “lagrimares

  1. Estou pra ler alguém que consiga fazer tantas aliterações tão surpreendentes e criar imagens tão lindas como você, confrade. Mais um texto de tirar o fôlego.

  2. Não canso de perder o fôlego quando leio seus textos.

    Uau.

    Morri aqui “passagens sonolentas de adormecidas vontades” e aqui “encontra-me às margens de mim.”

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