Mar é cheio; de obstáculos.

E assim foi. Voce remou, navegou. Passou por tormentas. E quando veio a calmaria, te chamaram no convés. Prontamente apresentou-se. Mostraram-te um caminho. O caminho da prancha. E sem pestanejar, ordenaram – Vai! Caminha! Anda! E voce foi, obediente, caminhou, mesmo sabendo que aquilo era errado, mesmo sabendo que voce tinha lavado o navio, lustrado de cabo a rabo, cuidado de cada entalhe de madeira. Mas voce foi. E na ponta da prancha, pensou uma coisa apenas. O horizonte. Olhava aquele azul, o céu fundia com o mar. E o verde-agua, contrastava com o azul-celeste. Era fascinante. Sabia que se não estivesse ali, jamais contemplaria ampla beleza. Sindrome de Poliana? Nunca! Apenas conseguiu abrir os olhos pra uma nova perspectiva. E sentiu o chute. Sentiu a pontada da espada nas costas! Fora empurrado.

O mar, gélido, congelante, tirava-lhe o folego, tanto quanto os dias de trabalho no navio. E instantaneamente lotou os pulmões de ar, e nadou. Mas nadou com uma certeza. E quando foi renovar a respiração, avistou uma paisagem, que mais parecia-lhe miragem. Uma ilha. Tinha a certeza que estava a sonhar. Mas o frio trincava-lhe o coração. Era um coração gelado demais pra imaginar aquilo. Bonito daquela maneira.

Nadou, e chegou. Um nativo ofereceu-lhe fogo, comida, cobertas… Aceitou, obvio! Durante sete dias, ficou ali. Rindo, cantando, dançando.

Amanheceu um dia, sem propósito. E sentiu vontade de nadar. Nadou, nadou, incessantemente. Deu de cara com o velho navio. E eles chamaram-no de volta. Ele voltou.

Com o corpo gelado, com a alma castigada, mesmo depois de ter vivido o óbvio da vida, procurou  e retornou ao seu porto seguro.

Se Morreu?
Se Viveu feliz para sempre?
Não sei, não estive la para ver.
Curioso a respeito?

Nem um pouco.

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