Minha menina

Você quis saber onde dormi a noite passada. Não pude te dizer, porque algumas das minhas verdades matariam seu amor. Você não me ama toda, ama apenas pedaços meus.

É verdade que eu não amo tudo em você, mas nada que venha da sua parte me é é indiferente. Amo e odeio cada célula sua, cada pedaço da sua existência. Se eu te conto o que fiz na noite passada, você desestabilizaria o seu amor por mim. Me amaria ainda mais, ou me odiaria. Acho que eu não te suportaria desequilibrado. Por mais que às vezes eu te provoque alguns gritos, é só pra me certificar de que você está vivo. Seu amor morno me dá náuseas. 



Garota, onde você esteve na noite passada, te pergunto em silêncio. Qual é o seu mistério, te pergunto sem palavras. Pergunto sem querer saber, porque a condição pra eu te querer é não te saber por completo. Você finge que me deixa te controlar e eu finjo que te amo. Mas nem eu acredito em amor e nem você acredita em controle. A paixão não é essa coisa socialmente aceitável, por isso forjamos um amor controlado, que é isso que a gente chama de relacionamento. Seria insuportável se assumíssemos os nossos desejos, então precisamos disfarçá-los com essa historinha de amor, é isso o que fazemos em nossas DR’s. O amor é só uma paixão politicamente correta. 

Minha menina, onde você dormiu a noite passada?
Dormi nos braços do seu amor morto.

3 comentários em “Minha menina

  1. Dormir nos braços de um amor morto… quantas vezes já não fazemos isso e nem nos damos conta, não é mesmo?

    Valeu a reflexão!

    bjsMeus
    Catita

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