não fui o primeiro

ela veio, assim querendo, coisa de mulher. disse o seu nome, não a sua condição. eu feito bicho, homem de poucas palavras, apenas armado de instinto, porém despido de precaução. ela me sorriu, como musa, inspiração sem pudores. dançou melodia de serpente, fez graça, troça e gingados. eu petrificado, solene observador daquele corpo, quase besta, quase dor, sem saber se era torpor ou delírio. volta e meia, um aceno. meia volta, já aceso…
depois ninguém nunca soube, se feitiço, mistério, sina… pois na indecifrável natureza humana, sobram motivos para amar, mas faltam o entendimento dos porquês.
(eu sigo, mesmo não sendo, aquele que sublima desencontros, num farejar de decepções, o cinismo , o dissimulado, os quereres incompletos, o trágico por trás dos véus… sim! eu não tenho vergonha de dizer, pois encantamento.
eu te amo.

2 comentários em “não fui o primeiro

  1. Eu acho tão bonito: encantar-se e deixar que o outro saiba desse encantamento sem nenhum faz de conta.
    Das coisas que precisam de coragem pra fazer mas que acariciam a alma.

  2. Denison, você faz poesia mesmo quando faz prosa.

    “eu sigo, mesmo não sendo, aquele que sublima desencontros”

    clap, clap, clap

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