not with who, but where

Eu amava dividir aquela pequena cama de solteiro contigo, amava ficar colada em tuas costas nas noites mais frias, soltar todo o peso de minhas pernas em cima de você, a televisão passando qualquer coisa durante a madrugada enquanto eu ouvia teus sonhos. Eu amava tua cama bagunçada, tua roupa meticulosamente espalhada por todo o chão do quarto. Amava acordar de madrugada só para me acomodar. Essa era a certeza de que você estava ao meu lado. Esse aperto bom.

Eu amava saber que cada rascunho teu era pensando em mim, que era musa inspiradora de suas letras. Amava o fato de ser muito mais do que somente tua fã. Ser tua. Amava tuas manias. Tuas facetas. Tuas verdades. Amava até tua desconfiança infundada. Teu ciúme juvenil. Tua insegurança comigo.

E você, por mais inseguro que fosse, mesmo sabendo que minha profissão não era das mais ortodoxas, nunca questionou, nunca invadiu minha privacidade. Nunca desrespeitou minhas vontades.

E você que sempre me esperou chegar em casa, sempre trancou o portão depois que eu chegava, sempre me esperou sair do banho para deitar, ontem quebrou o protocolo.

Dormiu na sala, escreveu pra umas, pensou em outras, me amaldiçoou, fez do meu nome um verso ferido.

Quando cheguei e te vi, seu desprezo foi massacrante.
Sem nem ao menos levantar os olhos e me encarar, perguntou de uma só vez.

‘Onde você dormiu noite passada’

Dormi com a Beth, trabalhamos até tarde, não me recordo de muita coisa, mas estava com ela. Inclusive ela me trouxe aqui agora cedo!

‘Onde você dormiu noite passada’

Já disse! Dormi com a Beth.

Não quero saber com quem.

Infelizmente não pude responder, não me recordava. Só sei que se ele me pedisse, eu estava disposta. Disposta a dormir novamente. Agora com ele.

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