O bom do amor é quando ele canta.

*Eu me lembro de quando éramos mais leves, mais suaves, mais tolerantes, mais vivos. Costumávamos combinar mais do que hoje. Vozes e peles e olhos e notas. Às vezes sinto que o amor tornou-se um corpo estranho e que eu preciso desviar-me muito do que sou para me encaixar nesse novo formato. Tenho saudade do tempo em que éramos mais laços, menos nós. Teu olhar me diminui, me despreza, me abandona, às vezes parece que me odeia. Meu olhar te desconhece, te espera. Nosso amor mudou. E na memória fica o gosto do que era doce e parecido com eternidade. Como aquela velha canção falando de amor e liquidificadores nos nossos ouvidos. Segredos que só o tempo nos dá. Na memória e na vontade, permanecemos. Somos ainda perfeitos. Eu me lembro.*

O bom do amor é quando ele fica.


Van Luchiari é arteira.

7 comentários em “O bom do amor é quando ele canta.

  1. Van, seja muito bem-vinda por aqui!

    Adorei: “Às vezes sinto que o amor tornou-se um corpo estranho e que eu preciso desviar-me muito do que sou para me encaixar nesse novo formato. “

    O amor é aquela coisa que é tão nossa, mas tão nossa, que parece que vem de fora. Um pouco como as crianças brincam de repetir uma palavra…repetem-na, repetem-na, repetem-na, até que ela parece estar errada e ter um significado desconhecido!

    Seja bem-vinda por aqui!

  2. Que coisa gostosa ler a Van Luchiari por aqui. Gosto da musicalidade nas letras dela. É como ler um livro debaixo de alguma árvore escutando o barulhinho do vento.

    Parabéns pelo texto.

    Aliás, Ana estou adorando seus convidados aqui na Confraria.

    Bem, na verdade, esse espaço é um grande presente para todos nós. =)

    Bjo aos confrades.

  3. Uma delícia e uma honra estar aqui.
    Convidem-me sempre que quiserem.
    Será um prazer.

    Beijo carinhoso e aquele sorriso procês, queridos.

  4. Van, é um prazer te ter aqui.

    Adorei as palavras leves falando de coisas pesadas, ficou uma delícia de ler.
    Beijos!

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