Mal-me-quer

Meu amor era teu remédio. Era uma cápsula de vida diária, tomada por ti, um bálsamo. Manipulado simetricamente entre nossos quereres. Voce sorvia em goles únicos, toda minha essência. Meu amor.

Meu amor está comprimido. Em uma cápsula guardada bem longe de ti. Meticulosamente selado. Tenho dúvidas se você ainda precisa, ou merece. Ou quer. Meu amor.
Em outras épocas, você quebraria todos os frascos do armario, você mastigaria todos os cacos, arrebataria todas minhas juras. 
Em outras épocas, eu faria questão.
Me doia pensar na vida sem tua presença. Me doía caminhar na praia sem teus dedos entrelaçados.
(notou o tempo passado né?)
Pois é. 
Me dói querer tanto e não saber como ter.
Me dói digerir a ideia de sua ausência. 
Eu gosto do bem que me faz, mas não suporto o gosto do mal que me fez.
Juro que não te quero. Mas prometo que não te deixo.

4 comentários em “Mal-me-quer

  1. Adorei o texto, e teu final me lembrou um poema da Ana Martins Marques:
    “Um dia vou aprender a partir
    vou partir
    como quem fica”.

    1. 😛 Saudade de voce menina! Beijo e seja bem vinda ao novo site!

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