Pequena crônica de mãos dadas

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Carlos Drummond de Andrade
Mãos dadas. Quantas vezes isso foi citado em meus textos recentes. Pode parecer besteira, podem achar balela, ou mesmo que o beijo e o sexo são mais importantes. Mas em verdade vos digo, estar de mãos dadas é tão essencial quanto. O beijo que tira o fôlego, o sexo que te faz ressuscitar várias vezes. E as mãos entrelaçadas numa noite carioca. Arpoador, Copacabana, Lapa. No táxi, por debaixo da mesa, sobre a perna de um ou do outro, sob as estrelas. Com ou sem Stellas. Às vezes suando frio, noutras aquecendo, e ainda, como medidor das pulsações mútuas. A gente caminhando de qualquer maneira. Subindo a Joaquim Silva pela Travessa do Mosqueira. Ao sair do Quiosque da Brahma na Atlântica indo em direção ao Cervantes, na Prado Júnior. Descendo a Pereira da Silva, entre pássaros e sonhos. No Baixo Gávea, ou no Alto Leblon. Antes mesmo do Hotel Marina acender. Da Praça General Osório à Praça Nossa Senhora da Paz. Flanando pela Marquês de Abrantes, ou pela Rua das Laranjeiras. Depois de pedir mais um chopinho no Lamas, vindo da São Salvador. Se tudo pode acontecer, quão bom seria se esse momento durasse a vida inteira. Subindo a trilha da Urca. E lá em cima uma nuvem cheia não chover. Todo um céu nos abraçando. Além do horizonte. Sim, pra mim estar de mãos dadas com quem se ama, com quem se gosta, é tão ou mais importante que o beijo e o sexo. Pode parecer romantismo retro. Mas a cada dia, ou noite, que passa, mais me convenço, algumas alianças não tem como serem celebradas de outro jeito, a não ser:

de mãos dadas.

2 comentários em “Pequena crônica de mãos dadas

  1. Se eu tivesse lido o seu antes de escrever o meu talvez tivesse me atrapalhado tentando não usar a mesma imagem de mãos dadas, mas no fim achei que os textos deram as mãos. 🙂

Os comentários estão fechados.