Lágrimas enchente

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A cadeira que ele jogou, 

se despedaçou nas costas da minha mãe. 

O choro invadiu meu quarto como enchente. 

Paralisei. 

Eu não sabia muito bem o que fazer com 11 anos,  

mas sabia que tinha que tirar meu irmão de lá.  

Saí trêmula em direção ao temporal. 

Entrei, sem muito saber o que me esperava. 

Mas esperando o pior. 

Antes daquele momento,  

eu não sabia o que era o pior. 

No chão, destroços de uma relação doentia.  

Meu irmão gritava, e eu desejei que fosse sono. 

Que ele não pudesse ainda, compreender tudo aquilo. 

Minha mãe gritava. Mas por clemência.  

Por ser a sua única defesa. 

Olhou nos meus olhos, 

com lágrimas misturadas de dor e culpa. 

E eu gritei de ódio.  

-Solta ela! 

Levei na cara. 

O sangue que escorria do meu nariz, 

Era como a lava. 

Quando seco, petrificou meus sentimentos. 

Devastou minha inocência. 

Mas conquistou nossa liberdade.

 

O som do motor indo embora, 

era como o final de um terremoto. 

Esse foi o dia em que eu perdi minha famílianum desastre alcoólico.