o próximo do próximo

no ponto do ônibus, espero mais trinta minutos.
o último passou e fez de conta que nem me viu. 
e eu aqui, na esperança de chegar ainda antes das vinte. preparar o jantar e espera-la chamar pelo interfone.

quase toda vez é a mesma história. alguns não possuem o elevador, o motorista avisa que o próximo tem e pede pra esperar. eu espero o próximo e às vezes, o próximo do próximo do próximo. e mesmo quando o próximo chega, alguém de cara fechada, olha puto da vida de liberar o espaço destinado a mim, ou a outro como eu, com necessidades especiais para locomoção. 

eu sei que todo mundo está cansado. eu trocaria todo o cansaço do mundo para poder me levantar dessa cadeira. mas, infelizmente, depois daquele acidente, não posso mais faze-lo. e me resta agora, esperar o próximo para que talvez ainda consiga chegar em casa antes das vinte. 

já se passaram dois próximos. acredito que no próximo, consiga embarcar e finalmente começar a ir pra casa. 

hoje é aniversário dela. tenho tudo planejado. um jantar digno. um recital de algumas novas poesias. um garrafa vazia no final da noite, um sono bom durante a noite e um despertar sem vestes no amanhecer. 

finalmente chego em casa, após esperar uns cinco próximos. começo os preparativos e a espero com o coração cheio de borboletas, o próximo tocar de interfone dela. 

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