DESAFIOS EM TOM PASTEL

quando me vesti de esperança
e não é da cor verde que estou falando
nem do bicho que parece um grilo
mas não faz barulho
muito menos de um pedaço de grama
ou corte no dedo – que faz com que gotas quentes
coloram de vermelho um pedaço de papel toalha

o que pode ser “clichê”
– quando nos colocamos
no meio de um furacão
e sentimos nossa respiração mais rarefeita
diante de qualquer suspiro mais profundo(?)

quando nos deixamos – permitimos –
ser guiados por um impulso –
uma vontade tão grande de deixar
que palavras escapem de nossa mente
como se fosse imprescindível
nos livrarmos de uma angústia
entranhada escondida endurecida
– em qualquer canto – e isso nos faz sentir pequenos
como se esse sentimento
fizesse parte de nossa pele ou órgão interno

muito pior até – é como se isso tudo
fizesse parte do nosso cérebro
e dessa forma utilizasse
mecanismos extremos
para nos matar pouco a pouco
me sinto longe da depressão
mas nesses últimos dois dias
tenho tentado expurgar
com certa doçura até
esse vômito que – como um parasita –
se segurou em mim

vivenciei coisas
escutei umas palavras
que me fizeram sentir pequena
e isso de alguma forma acordou um demônio (!)
minha necessidade de saber
que essas vivências
certas palavras
brigas
são desnecessárias

como para me desintoxicar
de um vício que me consumia
pensei em como essas palavras e dizeres
me faziam e fizeram mal

uma incoerência
prepotência tão enormes sabe
uma cegueira tão maldosa tão vil
dentro de uma convivência
com alguém como eu
que dá extremo valor às palavras
e meu eu ter que ouvir que palavras
não são importantes…
isso despertou minha ira
e agora me visto de esperança

quando digo isso
não estou fazendo nenhuma referência
à cor verde

azul e rosa sempre foram
minhas nuances preferidas
por isso
agora

faço questão de ser lilás!

 

Carioca de 1978, Juliana Hollanda atua na poesia desde 2005 (CEP 20.000, Ponte de Versos e etc). Além de fazer parte do trio de poetas “Madame Kaos” (com Beatriz Provasi e Marcela Gianini), também compõe a dupla “Ju & Juju” (com Justo D’Avila). Escreve regularmente na página: Juju- on the box – Xperience  no Facebook e possui três livros publicados: “Acordei num Iceberg” (Ibis Libris, 2008), “Entre sem bater” (2010) e “Vertentes” (2012), os dois últimos, independentes, editados por Tavinho Paes para a coleção Heart.Action. Atualmente trabalha em “Zuzu”, (também em parceria com Tavinho Paes) e “O céu, O inferno & Jackson Pollock” a ser lançado em 2017.


Desafio da Semana:

24/07 - Viva cor!

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