Sr. Solidão e dona Alegria

Nesta história você irá conhecer dois personagens que viviam em uma pequena cidade cinza. E cada um tinha sua cor favorita e não se misturavam.

A primeira é Dona Alegria. Sempre com um sorriso largo no rosto e gestos estabanados, era alta e adorava a cor branca. Sua casa, roupa, dentes e até cabelos eram bem branquinhos. E tinha muitos amigos, não lembrava o nome deles é verdade, mas como guardar? Tantos iam e vinham que não tinha como se lembrar de todos eles.

O Segundo é o Sr. Solidão. Ranzinza, baixinho, daqueles que se sua bola cair no quintal, fura ela. Não deixava ninguém se aproximar e por isso morava sozinho. Adorava sua casa pintada de preto, suas roupas pretas e até seus livros tinham a capa preta.

Eles eram assim, viviam naquela cidade cinza cada qual com sua cor. Preto e branco, branco e preto. Algumas pessoas são desse jeito e não há muito que fazer para mudar, não é mesmo?

Um dia, Dona Alegria estabanada esbarrou sem querer no Sr. Solidão, o fazendo derrubar o seu livro favorito de cor preta no chão. Ela continuou abrindo um sorriso sem olhar para trás, pois estava atrasada para encontrar com seu amigo. O Sr. Solidão ficou imóvel e muito bravo com a situação. Até que uma mãozinha pequeninha apanhou o livro e entregou ao seu dono.

Era uma menina, cujo nome é Solitude. Tinha chegado há pouco tempo na cidade. E não tinha feito amigos, por que as pessoas a achavam estranha. Já que ela não tinha uma cor preferida. Aliás ela usava um vestido de retalhos, cujo cada quadradinho tinha uma cor diferente. Solitude não se importava com o que os outros pensavam. Gostava de todas as cores, não tinha uma favorita e também gostava de boas histórias. Por isso pediu para o Sr. Solidão ler para ela. Ele não gostava de ler para os outros ainda mais em voz alta. Mas como a pequena lhe fez uma gentileza, retribuiu. Sem perceber sentaram em um banco branco e ele começou a ler para Solitude. Até que Dona Alegria foi informada pelo seu amigo ciúme que tinha alguém sentado em seu banco favorito. Ela foi imediatamente tirar satisfação, pois não haviam pedido sua autorização. Ciúmes a apoiava. Solitude se desculpou pelo ocorrido e propôs que Dona Alegria ficasse para também escutar a história, se caso ela não gostasse, o Sr solidão e Solitude iriam para outro lugar. Dona alegria aceitou, afinal adorava um desafio. Ciúmes também foi convidado a ficar. Mas achou tudo aquilo muito chato e foi para outro lugar.

Passou 1, 2 horas, e Dona Alegria não mandou os dois embora.  E desde então, Sr. Solidão passou a ler para elas todos os dias. Até que chegou um ponto que seus livros adoráveis de capa preta já tinham sido todos lidos e teve que pegar um na biblioteca, que fosse de outra cor. Dona Alegria passou usar amarelo.

Graças a gentileza de Solitude os dois, Sr. Solidão e dona Alegria, se conheceram e perceberam que mesmo diferentes eles poderiam ser amigos. Agora Sr. Solidão não era tão ranzinza e Dona alegria era apenas Alegria, afinal com a amizade não precisavam ser tão formais. Com o tempo a contação de histórias ficou tão famosa, que vieram gente de todos os lugares daquela cidade e do mundo. Um dia até o Medo que era bem grande e a coragem que era maior ainda chegaram para escutar uma das histórias. E ficou uma Confusão, o espaço estava pequeno e só um podia entrar. Quem iria? Medo ou a Coragem? Solitude encontrou um lugar maior onde todos coubessem. E cada dia ficava mais multicolorida a vida naquela cidade, que hoje já não é mais Cinza. Chegou a ficar tão colorido que fez com que o Arco-íris que conversava com o ciúmes, não gostasse nada do que estava acontecendo. Bem… mas isso já é outra história.

 

Por Antonia Sousa

Quem é Antonia Sousa?

O poema “Namorados” de Manuel Bandeira, define Antonia Sousa. Segue um trecho.
“A moça arregalou os olhos fez exclamações.
O rapaz concluiu:
– Antonia, você é engraçada! Você parece louca.”

Desafio da Semana:

17/07 - Um dia após o outro

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