Até o amanhecer

Foi quando eu fui embora.

Passamos a noite toda juntos, mas só quando fui embora é que nossos olhares se encontraram. E ali ficaram. Alguns segundos clichês, pois se fizeram eternos. Ainda consigo te olhar nos olhos mesmo nessa lonjura que você resolveu inventar pra gente.

Por precaução, falou. Te entendi sim, até concordei. Mas gostar não gostei.

Não sei se reparou, mas quando se distanciou, cuidou de mim. Agradeço. Mas te maldigo. Às vezes a gente não quer cuidado, quer errar um pouco porque sabe que pode virar acerto.

Naquele nosso olhar, eu estava inteira. E todo dia sinto falta disso.

Passei a a noite com frio, descabelada, bunda suja de sentar no chão, e acompanhar desafinada o seu violão. Você ria, mas não parava pra me consertar. Você me gostou como sou. Depois deu matar a saudade de mim, amanheceu. Despertamos pra realidade.

Na hora de ir embora eu parei, olhei pra trás e foi aí que conheci a gente. Aquele olhar entrelaçado cheio de encanto nos arrastou, um pro outro. E depois arrasou. Você era um imã pra eu mudar minha vida, mas a gravidade da certeza me puxou mais forte. Não fui até você e ali fiz a nossa escolha. Por mim, e por ti.

Muitas vezes sou feia por dentro, choro de soluçar quando não me entendo. Esqueço onde deixei as chaves e falo alto demais. Os defeitos mais sujos cê pode imaginar. Não conto, omitir é outro. Você me esquentou no seu peito, só com esse olhar. Agora posso me permitir. Pena que não acho outro de você. Igual a ti, só no inferno.


Desafio da Semana:

4/12 - Igual a ti só no inferno

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