Desconhecidos

Desde que você se foi

eu fico tendo a impressão

deque quase te vejo

nos lugares mais improváveis.

Na fila do banco

o ponto branco

na nuca do homem da minha frente

me lembra que eu não me lembro de

como era a sua nuca.

Na feira

a mão,

que, ao lado da minha

busca pelos melhores limões

os apalpando de modo suave,

me faz pensar

que poderia ser você

a estar ali ao meu lado e

eu não me importaria ser um limão.

Em meio à multidão

que faz compras de natal

como se o natal dependesse de compras

para acontecer,

penso que,

dentre tantos desconhecidos,

algum deles deve ser ou parecer com

o desconhecido que você se tornou para mim.

Mas sempre me engano,

igual a ti só no inferno.