Doce desejo

Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Julia deu por si na cama transformada em um tablete de chocolate.

Na noite anterior ela havia brincado que seu maior sonho era que o mundo todo, móveis, plantas, chuva, fosse feito de chocolate. Agora parecia que o universo tinha invertido o pedido. Ela tava ali, deliciosa e naquele formato retangular, que sempre amou.

Começou a entrar em desespero. As extremidades de seu novo corpo, foram aos poucos derretendo. Ela foi se sentindo mole.

Espera, socorro, não era eu não, era todo o resto! Alguém!

Nada…

Tentou respirar fundo e ficar firme. Não era possível que ficaria assim pra sempre. Olhou em volta e ouviu um barulho. Caetano devia estar no banheiro. Será que já a tinha visto nesse estado? O que seria do casamento agora? Ele nunca gostou de chocolate. Encostou receosa no seu corpo, era macio e melado. Suas mãos deslizaram e conforme as passava pelo braço, ele esquentava e se moldava. Seu cheiro era delicioso, a boca até salivava. Brincou com a coxa, fazendo mini buracos e deixando uma poça derretida no meio. Lambeu de leve o dedo. Lambeu mais. Chupou com gosto e não se importou ao ver sua mão sumir. Perdia a racionalidade, e tomada pelo desejo se lambuzou com cada parte do seu corpo. Sentia que todas elas tinham um sabor diferente. Ao leite, amargo, com amêndoas ou menta. Não conseguia parar, nunca havia se amado tanto. Descobriu cada gosto e se devorou inteira.

A porta do banheiro abriu, Caetano olhou curioso pra cama. Julia? Sentia um cheiro forte de chocolate. Estranho, esse parecia gostoso.

 


Desafio da Semana:

18/12 - Metamorfoses ambulantes