Poeira celestial

A luz do abajur ilumina seu braço esquerdo
e esconde o direito
assim como a caneta marca-texto destaca
a palavra
amor
e apaga o
talvez.

De dentro da bolsa do supermercado
tiro
um girassol;
comprei-o na esperança
que me alumiasse por
dentro
quando você está
fora.

Um raio de sol se esgueira pela fresta
da persiana
velha
e faz brilhar partículas
de sujeira
feito fossem
poeira
celestial.

As palavras e as coisas não têm
sentido
sem nós
por isso esse poema permanece um
enigma
até o apagar das luzes.

Carina Destempero


Desafio da Semana:

13/12 - Palavras soltas

Deixe uma resposta