Trem e coisa, a homofonia mineira

Eram doze horas e trinta minutos. Tonico já estava do lado de fora de casa esperando o ônibus para ir à escola. Como de costume, deu uma última conferida na mochila e notou que tinha esquecido um trem importante. Como não podia sair do portão, pois tinha que vigiar a chegada do ônibus, gritou para sua mãe que estava em casa.

– Ô mãe!!! Ô mãe!!!
– Que foi menino? – Gritou a mãe lá de dentro.
– Pega pra mim o trem que ficou aí dentro de casa, por favor!
– Que trem menino?
– O trem mãe. Que está aí em cima da coisa.
– Que coisa, Tonico?
– A coisa que fica aí no meio da sala. Deixei um trem aí.
– Uai, meu filho, vem cá buscar!
– Num posso, mãe. Se o trem passar aqui e eu perco e não vejo, chego atrasado na aula. Agora se eu perder vendo, eu saio correndo pro ponto da rua de baixo.
– Ai, Tonico, você não aprende mesmo, né?
– Ô mãe, quebra essa pra mim, por favor!

A mãe suspira dentro de casa, vai até à sala, e acha algo em cima da coisa.

– Tonico, é essa coisa verde aqui?
– É mãe. É esse trem mesmo. Traz rápido que o busão está chegando!

Ela sai correndo de dentro de casa, tropeça num trem esquecido no meio do caminho do portão, mas consegue chegar a tempo do menino pegar o ônibus.

– Toma, Tonico. Que coisa é essa cabeça sua, viu? Vê se não esquece esse trem da próxima vez.
– Tá bom, mãe. Obrigado!

Dá um beijo no rosto da mãe e sai correndo para o ponto de ônibus.


Desafio da Semana:

3/04 - Um bilhete debaixo do travesseiro