onde quem te dormiu, sabido é… passa-me o noturno esclarecido… sempre palavras sem véus, ainda que tardiamente…

um quarto de vozes pálidas pena pesares. quadro-cenário de esquálido pensar. rápidos meneios de soturnas sombras a esquadrinhar lugarejos de mim... lampejo quase. um corte seco do frio da chuva... úmida navalha a perpassar pela carne... arrepio aceso... reverbero-me excertos de variegada verve. versos incertos deveras vivos. vernáculo em vermelho breve. sintetizo-me tentáculos dissonantes a … Continue lendo onde quem te dormiu, sabido é… passa-me o noturno esclarecido… sempre palavras sem véus, ainda que tardiamente…

indelével vestígio da chuva

e se amanhã o nunca lanço teu nome no escuro a amaldiçoar esfinges eu habitante inculto deserto tapera de ventos e grãos de luar um quarto de hotel tem o dom da solidão... repiso-me pegadas pela aldeia de um corpo ausente. milagreiro de fronteiras inabitáveis, desapareço. do fragmento exposto, rompo passagens, fraturas, paragens nunca vistas. … Continue lendo indelével vestígio da chuva

o dia em que conheci uma guria, não sei se era tarde ou se era o dia

meus olhos descansaram em ti naquela noite fria. mas teus anseios são de pássaro. mesmo assim me fiz abismo. trêmulo mergulho que ainda ecoo, por aí. teu roçar malemolente, tua dança sem jeito, teu... tua... havia o pão, o vinho, a carne e o sangue. cálices proferindo excitação, os lábios tintos, as línguas pedindo tradução. … Continue lendo o dia em que conheci uma guria, não sei se era tarde ou se era o dia

passista

fantasio o que as máscaras ocultam, carnaval dentro de mim. sinto o bafio de uma ópera bufa. adereços, passamanes, adornos, atavios... avenida em aberto, sambo, enredado na teia de desarmonias... atravesso a bateria disperso... uma evolução acontece, parada brusca... bebo as apoteoses das tuas aparências... denison mendes

imago

distante silêncio pálido pesar, aziaga noite véu fuligem pela órbita retina... aquela casa... quando venta cresta o céu, reinventa-se a nuvem... aquele olhar... pende do rosto onda que a rocha sofre... aquela lágrima... tem literárias asas canto, solista de palavras que adejam... aquele voo... tem o encanto da surpresa, soluço encontro cálido do peito... aquele … Continue lendo imago