Você tá brava ou é de áries?

Caprica?! Ihh, to fora. Raça ruim, fria. Cê só deve ligar pra dinheiro. Já namorou é? Quantos? Muito tempo? Sete anos, puxa, muita coisa. Mas deve ter sofrido o coitado. Duvido que não. Você que sofreu? Nossa, qual era o signo dele? Ih, devia se achar! Não? Qual foi o problema então? É, Austrália é … Continue lendo Você tá brava ou é de áries?

O homem tsunami

Encosto na cadeira. Respiro fundo e decido sair. Pego minhas coisas. Alguns me perguntam onde eu vou. Se está tudo bem. Não respondo ninguém. Passo o crachá na saída da catraca. A recepcionista começa uma frase, mas o som fica longe, imperceptível. Jogo a mochila no banco de trás. Dirijo. Pego a Marginal. Milagrosamente livre. … Continue lendo O homem tsunami

Estrelando: O conserto

Renato sobe as escadas devagar. Lívia já deve estar dormindo. A luz amarelada do abajur enfeita os últimos degraus, mas mesmo assim ele sente raiva do penúltimo. A escada tinha custado uma fortuna. Mestre de obras sei lá da onde, arquiteto tal. Ficou uma bosta. O último degrau espanou e ele sempre tropeçava. Amanhã era … Continue lendo Estrelando: O conserto

Smells Like Teen Spirit

As letras prateadas no fundo preto davam um ar sério e futurístico. Talvez sério demais. Não sabia porque, mas tinha um quê amedrontador. Odora. A placa era enorme. Pesada. Ela imaginou aquilo caindo e esmagando umas seis pessoas. O vermelho no prata com preto. Chacoalhou a cabeça como se a imagem fosse se dissipar dessa … Continue lendo Smells Like Teen Spirit

Jabuticabeira na janela

Depois da minha adolescência, os dias foram se transformando em semanas, as semanas em meses, e estes em anos. Minhas escolhas acompanharam o tempo, diminuindo gradativamente. Em 49 me tornei professora, logo depois me casei. Aninha nasceu, construímos a casa. As janelas de treliça fui eu que escolhi. Mas abrir a do nosso quarto e … Continue lendo Jabuticabeira na janela

Pra lá e pra cá

Verti o primeiro gole de cerveja pela goela e topei com aquela imagem pela primeira vez. Ele dançava, pra lá e pra cá, em movimentos dissonantes, como se metade de seu corpo tivesse sido acometido pela ragatanga e a outra acabado de sair de um doloroso engessamento. Dissonante era também, logo percebi, as roupas em … Continue lendo Pra lá e pra cá