É uma rua muito estranha

É uma rua muito estranha: ninguém sabe dizer do que é feito seu calçamento, nem mesmo de que cor ele é. Uns dizem que é feito de pedras portuguesas, outros de cimento queimado, de concreto pintado de rosa, de ladrilhos coloridos e até diamantes. Já tentaram fotografar, filmar, pintar e desenhar, nada parece fiel. É … Continue lendo É uma rua muito estranha

Oneirikos pagotó

É uma dessas semanas encavaladas, onde as horas ao invés de correrem o espaço circular dos visores dos relógios, são extraídas dos meus ossos, me deixando feito bateria viciada de celular, faminta por carga, faminta por energia para sobreviver mais algumas tarefas, mais alguns passos, até conseguir chegar ao colchão da minha cama e me … Continue lendo Oneirikos pagotó

Silêncio ensurdecedor

Estranhamente o despertador não tocou. Mais estranho ainda era o fato de acordar sozinho. Naquela terça-feira, a pouca luz que rompia o voal das cortinas foi responsável por meus olhos se abrirem. Os pássaros e as buzinas não cantavam. Pessoas não conversavam lá fora. Nada ecoava. Estalei os dedos, bati palma, liguei a torneira, gritei, soquei o espelho. … Continue lendo Silêncio ensurdecedor

nunca se sabe o que acontece quando se diz eu te amo

Duas viaturas estavam em frente a nosso prédio. Ao passo que me aproximava ficava assustado ao pensar no que poderia ter acontecido. Nunca se sabe o que esperar de polícias. Nada demais haviam me dito, uma briga de casal, um gato misteriosamente morto, não sei, algo assim, eram muitos cochichos. Lembro que ao abrir a … Continue lendo nunca se sabe o que acontece quando se diz eu te amo

Todos os sentidos

Naquele dia, Maria acordou assustada pois não sentiu o cheiro de pão fresco que entrava pela fresta da janela todas as manhãs. Pensou tratar-se de um sonho, mas rapidamente lembrou de que eram tempos sombrios e o bafo da tirania costumava assombrar as narinas menos sensíveis. Para aqueles que ainda cultivavam alguns valores em desuso, … Continue lendo Todos os sentidos